AFIPOL – Desafios para 2014!

Ricardo Vívolo, Presidente

2013 ficará marcado como o ano em que a indústria fibras poliolefínicas enfrentou as maiores dificuldades de sua história:

  1. deterioração consistente das bases econômicas do país – trazendo de volta inflação, altas taxas de juros e câmbio desfavorável;
  2. elevada carga tributária, com uma enorme quantidade de regras complexas, que mudam com frequência, muitas vezes de forma conflitante;
  3. ausência de política industrial consistente, com iniciativas espasmódicas, muitas vezes equivocadas e até mesmo danosas;
  4. abandono da política agrícola, com graves consequências para setores fundamentais, tais como a indústria sucroalcooleira e a indústria de fertilizantes;
  5. sucessivos aumentos nos preços do polipropileno, principal matéria prima do setor.

Ao longo dos anos vimos nossa lucratividade ser paulatinamente transferida para os elos anteriores e posteriores da cadeia. Em 2013 essa equação perversa se acentuou mais ainda: o aumento médio do custo do polipropileno foi de 20%, custo totalmente absorvido pelos transformadores, que não puderam repassá-los para seus clientes. Na prática isso representa uma transferência de margem do nosso setor para o setor petroquímico. Some-se a isso o dissídio, da ordem de 7,5%.

As dificuldades enfrentadas em 2013 pela nossa indústria foram tão graves que duas empresas tradicionais do ramo decidiram encerrar suas atividades.

E para começar 2014, mais uma dificuldade foi imposta à nossa indústria: o antidumping do polipropileno da África do Sul, Coréia do Sul e Índia. A indústria de transformação, que já vinha sofrendo com os preços impostos pelo setor petroquímico, aproximadamente 35% acima dos preços internacionais, agora se vê impedida de buscar preços mais competitivos no mercado internacional.

Para 2014, as perpectivas para nossa indústria são de crescimento de 3% em volume. Apesar disso, continuaremos tendo grandes dificuldades para recompor nossas margens, pois não existe elasticidade de demanda via preço. Além disso, 2014 será um ano atípico – com copa do mundo e eleições. Muitas medidas que deveriam ser tomadas pelo governo para estimular o crescimento da economia podem ser postergadas.

Nossa mensagem aos empresários do setor é que devemos envidar todos os esforços para repassar os custos para o elo seguinte da cadeia. Disso depende a sobrevivência da nossa indústria. A AFIPOL, junto com outras entidades representativas da indústria de transformação, continuará lutando para sensibilizar o governo a desenvolver políticas que fortaleçam a indústria nacional e que promovam a inserção da nossa indústria no jogo do comércio global.

Boa sorte em 2014!

Ricardo Vívolo
Presidente

Referência: AFIPOL

Categorias